Capítulo I

O pequeno carro estacionou na única vaga que encontrou livre no apinhado centro de Londres, e pouco depois cabeleiras cor de fogo surgiram seguidas por cabelos negros.

Lilian olhou animada para o prédio diante de si, eles estavam indo comprar os materiais escolares, preparando-se para um novo ano em Hogwarts. Esse era o motivo da animação de Lilian: Hogwarts. Havia completado onze anos e isso significava que a Potter caçula estava prestes a começa seu treinamento de bruxa.

- Pronta, querida? – Harry perguntou à sua filha caçula, ela apenas balançou a cabeça confirmando.

- Cadê o Hugo? – Ela perguntou.

- Hugo, Rose e seus tios já estão lá. – Gina respondeu.

A garota abriu um sorriso de orelha a orelha, aqueles momentos — compra de livros, materiais, farda, e, finalmente, a partida. — era tudo o que preenchia a mente da garota há semanas. Esperara muito tempo para finalmente poder ir para Hogwarts.

- Vamos logo antes que a Cenourinha comece a saltitar. – Tiago disse, Lilian mostrou-lhe a língua.

- Não me chame de Cenourinha! – Ela o advertiu.

- Ok, Cenourinha. – O Potter mais velho provocou e depois atravessou a rua sem esperar pelo resto da família.

- Tiago, Volta aqui! – Lilian berrou irritada.

- Não ligue para ele, Li. – Alvo Severo Potter disse. Lilian se virou para encarar o irmão do meio, ele sorria e estava agachado ao lado dela.

Lilian sorria enquanto admirava o irmão de treze anos. Ela sempre havia gostado mais de Al, ele sempre fora o mais gentil — e o mais bonito, ela sempre fazia questão de repetir, principalmente na frente de Tiago. — que seu irmão mais velho.

Al era a perfeita cópia mais jovem do pai. Tinha os mesmos cabelos negros e rebeldes, a pele clara e os mesmos olhos verdes de Harry. E durante as férias com vovô e vovó Weasley, ele havia crescido consideravelmente e deixado de ser o garoto franzino de antes. Agora ele era um perfeito arrasador de corações.

- Vamos? – Ele perguntou enquanto se erguia e estendia a mão para a irmã segurar.

- Sim. – Ela respondeu enquanto segurava a mão de Al. – Vamos logo!

Al riu da afobação da irmã. Prestou atenção e passou a rua, seguido por seus pais. Logo estavam diante da porta da Travessa do Tranco. Encontraram Tiago sentado numa mesa conversando com uma de suas amigas do colégio.

- Vamos, Al. – Lilian o puxou.

- Calma, Lily, eu tenho que ver se o pessoal já chegou. – Al disse.

- Mas, Al... – A garota choramingou. – Eles podem estar no Beco Diagonal!

- Lilian, quer esperar, por favor! – Gina ralhou com a filha.

- Hunf! – A menina bufou e sentou-se em uma cadeira emburrada.

- Eu vou na frente com ela. – Harry disse. Gina assentiu.

- Al! – o rapaz imediatamente reconheceu aquela voz estridente e sorriu. Não demorou tanto tempo para que uma Aislyn muito feliz o estivesse abraçando. – Nossa! Você está ótimo! Cresceu bastante, hein!

- Oi, Aislyn. Obrigado. – Ele sorriu.

- Ai, ai... Só a Aislyn mesmo para fazer tanto barulho por nada. – Jesse apareceu logo atrás de Aislyn. – Fala, Al.

- Hey, Jesse. – Al disse.

- Não liga pro Jesse, Al. Ele é um insensível. – Aislyn disse e deu um soco no braço do loiro.

- Ai! Você por acaso é louca, Aislyn? – Jesse resmungou.

- Hunf. – A garota deu-lhe as costas. Al sorriu. Aislyn e Jesse não tinham jeito. Numa hora estavam felizes e noutra estavam brigando.

- Ei, vocês viram a Ro? – Al perguntou.

- Ainda não, acabamos de chegar. – Aislyn disse.

- Eu tô aqui. – Os três se viraram na direção de que veio a voz e não demorou muito para que vissem Rosaly descendo as escadas.

Al sorriu. Ela mudara tanto desde que a conhecera. Agora seus cabelos estavam mais compridos, — batiam no meio de suas costas, agora. — ela também estava mais alta e com curvas (Al corou ao notar essa parte).

Mas todo seu encanto desapareceu ao ver o menino que vinha atrás dela.

- Oi, pessoal! – Ro disse.

- Ro! – Aislyn abraçou a amiga. – Andy! – Ela foi até o garoto e o abraçou também.

Andy era o acompanhante designado para Ro, apesar de ele também ter apenas treze anos, ele tinha o dever de aconselhar Ro. Ensiná-la a usar suas habilidades corretamente e no momento necessário. E era exatamente por isso, que ele e Ro passavam todas as férias juntos.

- Olá, Aislyn. Jesse, Alvo. – Ele disse com seu habitual tom calmo.

- Ai, formal demais, Andrew. – Aislyn reprovou enquanto bagunçava os cabelos escuros do garoto.

- Então, como foram as férias de vocês? – Ro perguntou indo abraçar Jesse e Al. – Alguém mais achou que pareceu uma eternidade até a gente se reencontrar.

- As minhas foram chatas. Meus pais trabalharam o verão todo. – Jesse resmungou.

- Pois as minhas foram ótimas! Meus pais também trabalharam, mas ainda bem que foi na Califórnia. – Aislyn disse feliz.

- Vai, esnoba. – Jesse disse.

- E você, Al? – Ro perguntou.

Alvo deu de ombros.

- Normais.

- Ah... – Ela disse um pouco triste. Ela olhou ao redor e viu Tiago conversando alegremente com uma garota, pensou até em ir dizer um oi, mas quando ele estava com uma garota, era melhor nem chegar perto. – Ei... – Ela falou lembrando-se. – Cadê a Lilian?

- Meu pai a levou para começarem as compras. – Al falou. – Ela estava super impaciente.

- Imagino. – Rosaly sorriu.

- Rosaly, lembre-se que sua avó disse para encontrá-la no Gringotes. – Andy disse se postando ao lado da garota.

- Eu sei, Andrew. – Ro disse revirando os olhos. – Às vezes eu me pergunto se você é meu orientador ou minha babá.

- Eu não sou sua babá. – Andrew disse.

Rosaly suspirou. Al observou a expressão da garota a sua frente, ela ainda continuava linda, embora estivesse ficando mais madura.

- Então, Al, o que você acha da Lilian finalmente estar indo para Hogwarts? – Rosaly perguntou tirando Al de seus devaneios.

- Eu acho que vai ser muito trabalhoso. – Ele disse e suspirou. – Ela é muito inquieta e como eu sei que o Thiago não vai ligar para ela, vai sobrar pra eu cuidar dela.

Rosaly riu.

- Se quiser ajuda, é só pedir. – A garota disse com um sorriso meigo.

- Ah, eu vou pedir, pode ter certeza. – Al respondeu e retribuiu o sorriso.

- Ei, que tal irmos tomar um sorvete, galera? Eu to morrendo de sede. – Jesse sugeriu.

- É uma boa ideia. – Rosaly concordou.

- Rosaly... – Andrew começou, Ro suspirou.

- Andy, é só um sorvete. Vovó pode esperar dez minutos.

Andy meteu a mão nos bolsos, resignado. Era uma batalha perdida, ele sabia, Ro era muito teimosa.

- Vamos?

- Claro, eu vou avisar minha mãe primeiro, tá? – Aislyn disse.

- É, eu também tenho que avisar. – Al disse.

Esperaram os amigos avisarem seus familiares, quando voltaram, os cinco fizeram seu caminho até a sorveteria. Entraram dentro da pequena loja e cada um foi para o balcão se servir. Aislyn escolheu um sorvete de chocolate, assim como Jesse, Ro escolheu de flocos e Al escolheu de cereja. Depois de todos estarem com seus sorvetes, pegaram uma mesa num canto da sorveteria e começaram a degustar.

- Tem certeza de que não quer um sorvete, Andy? – Aislyn perguntou.

Andrew balançou a cabeça negando.

- Mas tem certeza mesmo?

- Tenho, Aislyn. – Andrew disse sorrindo.

- É SÉRIO?

- ARGH, Aislyn, ele já disse que não quer! – Jesse disse irritado.

- Nossa, Jesse, deixa de ser chato. – Aislyn disse também irritada. – Eu tava perguntando para o Andrew, ok?

- Que seja. – Jesse disse e se pôs de pé. – Eu já vou.

O loiro foi até o balcão e pagou pelo sorvete, depois passou pelos amigos— que tentaram dissuadi-lo a não ir, embora tenha sido inútil —, e abriu a porta da sorveteria, mas assim que ia passar acabou trombando com uma pessoa. Ia resmungar alguma coisa, mas quando abriu os olhos percebeu que era uma menina.

- Desgraça! – Ela disse irritada. – Não olha por onde anda?

- Foi mal. – Jesse disse, parecia incapaz de tirar os olhos da garota a sua frente. Ela parecia ter a sua idade, era loira e tinha os olhos verdes. – Desculpa mesmo.

Ela suspirou.

- Tudo bem. – Disse com mais calma. – E desculpa ter te chamado de ‘desgraça’, é um hábito. – Completou meio sem jeito.

- Ahn, tudo bem. Nem tinha notado. – Jesse sorriu. – À propósito, eu sou o Jesse.

Ele estendeu a mão, garota apertou.

- Patricia.